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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Um coração para as almas perdidas

"Porque ás vezes...meu coração não responde, só se esconde e dói..." (Zélia Duncan)

Sua vida foi sempre marcada pelas histórias amorosas mais malucas. E quem nunca teve um estranho amor? Todas as vezes que pensava nas loucuras sentimentais que havia vivido, se questionava o que era pior: os amores fora do padrão ou nunca ter amado. A segunda opção sempre parecia mais assustadora.

Mas sentia falta de ter a sorte de um amor tranquilo. Apesar da certeza de que não nascera para ser uma pessoa normal, talvez encontrasse alguém que compartilhasse essa vida de estranheza. Ou não.

Seu coração era uma imã para almas perdidas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

ELA

Mais um aniversário.

Nunca me imaginei como uma Balzaquiana, e nem de longe me sinto uma. Aliás, como deveria sentir-se uma mulher de 30 anos? Como deveria sentir-se uma mulher? Sei que ainda sou uma, mas é compreensível que eu não saiba o que pensar na atual situação que me encontro.

Todos estão aqui: minha mãe, meu pai, Letícia, tia Carmen e tio Rubens. Depois de me cumprimentarem, trocarem aqueles olhares tristes e a minha mãe disfarçadamente enxugar a bendita lágrima, tiveram que encontrar um assunto para tornar aquela reunião o mais próxima de uma comemoração normal.

Letícia contou que foi demitida do escritório de advocacia. Lembro que ela havia me contado que estava trabalhando em um prédio maravilhoso na Av. Paulista, e que tinha gastado uma pequena fortuna comprando roupas novas.

Sei que ela conversava comigo de acordo com as orientações dos médicos, que diziam que eu ouvia e entendia tudo perfeitamente, mas nesse dia tive vontade de dizer: “Sério que você está reclamando de comprar roupas enquanto eu estou imóvel em uma cama de hospital para sempre”?

Tio Rubens lamentou e disse que a crise estava acabando com o país. Meu pai começou a xingar a Dilma e amaldiçoar todos que votaram nela. Letícia havia votado, e talvez nesse momento ela estava feliz por saber que o segredo estava bem guardado comigo.

A conversa seguiu para outros assuntos, mas o tom de lamentação era o mesmo. Sempre que aconteciam essas reuniões, eu me perguntava: será que a vida deles está assim tão ruim mesmo, ou é a minha presença que os obriga a mostrar essa infelicidade constante? Algo do tipo: “Olha, estamos tristes, tá vendo? Ninguém aqui pode ser feliz com você desse jeito”.

Não vou mentir: No começo, era isso que eu queria. Quando comecei a perder os movimentos da perna, cerca de 2 meses depois das primeiras dores no joelho, não entendia muito bem o que estava acontecendo com o meu corpo. Os médicos já apontavam a Esclerose como a responsável por aquilo, mas eu ignorava completamente essa explicação.

Por que não existia explicação para uma mulher de 25 anos, saudável, prestes a se formar e com todo o tempo do mundo pela frente, de repente não conseguir mais andar. Nunca me achei bonita, tinha traços muito diferentes do considerado “padrão ideal de beleza”. Olhos muito grandes, boca pequena e a pele pálida, quase um fantasma. Os cabelos eram muito ralos. Que saudades de pentear meus cabelos.

Mesmo assim, sabia que era inteligente e seria uma grande advogada. Fazia estágio em um escritório na Berrini, cheio de prédios espelhados e gente bonita. Adorava respirar o ar de poder que emanava daquele lugar. Quanta besteira.

E foi na volta de um almoço que eu comecei a sentir as primeiras dores no joelho. No dia eu nem liguei, mas os dias intermináveis no hospital me fizeram buscar na memória o momento do inicio do fim.

As dores começaram a se intensificar, até que um dia tive que faltar no estágio, pois não conseguia andar direito. Procurei um ortopedista, os exames começaram, os movimentos foram ficando cada vez mais limitados, até que o diagnóstico e a cadeira de rodas vieram.

Eles diziam que poderia ser genético. Era tudo muito injusto. E se já não bastasse eu destruir a vida da minha família por estar ficando inválida, eu tive a capacidade de me tornar uma sanguessuga da pior espécie.

Quando via Letícia se arrumando para sair na noite de sábado, talvez com a esperança de relaxar um pouco depois de passar a semana cuidando da irmã aleijada, eu criava um drama. Dizia que precisava dela comigo.

Se via minha mãe no telefone, conversando com tia Carmem e soltando uma risadinha qualquer, provavelmente após ela contar alguma caduquice do tio Rubens, eu começava a “gemer” alto de dor, para que ela viesse até mim. Não que eu realmente não sentisse dores, mas no começo elas não eram tão lancinantes. Queria chamar a atenção o máximo possível, era inaceitável qualquer resquício de felicidade perto de mim.

No fundo, eu alimentava uma ilusão quase inocente, de que tudo não passava de um momento de rebeldia do meu corpo. Talvez algumas sessões de fisioterapia aliadas a uma medicação mais pesada resolvessem aquilo

Os meses foram passando, e com eles, meus movimentos iam se despedindo do meu corpo. Quando meus braços se paralisaram e precisei ser alimentada na boca como um bebê de 3 anos, minha ficha começou a cair.

Minha vida tinha acabado.

A depressão chegou de certa forma tardia, mas chegou. “É normal” – diziam os médicos para os meus pais. Meu único pensamento era a morte, e maneiras de me matar. Mas como uma pessoa que não consegue comer sozinha pode tirar a própria vida? Várias vezes fechei os olhos e prendi a respiração, mas meus pulmões, apesar de frágeis, sempre venciam esse desafio.

Sabia que era questão de tempo perder a fala. E quando aconteceu, considerei um passo a mais em direção a morte. Ou seja, não foi tão ruim assim. Nesses dois anos esperando “o grande dia”, acho que já repassei em minha mente todos os momentos em que eu poderia ter feito algo que não fiz.

Já me lamentei por não ter comido aquela coxinha no happy hour por conta da dieta, de não ter assistido aquele filme por que era muito depressivo ir no cinema sozinha, por não ter transado com o Pedro por que ele era feio (uma transa a menos na minha vida) e de coisas tão ridículas e maravilhosas que eu não acredito até hoje que deixei de fazer.

Isso adianta alguma coisa? É claro que não. Mas a minha mente continua mais viva do que nunca. É impossível controlar os pensamentos quando você sequer tem controle sobre sua mão.

Existia uma grande vantagem na depressão. Ela me impedia de pensar “e se eu tivesse saudável agora, o que poderia estar fazendo”. Isso era uma grande dádiva, pois não suportaria ter sonhos a essa altura do campeonato. Tinha apenas um desejo, que seria realizado em breve.

Sentiria saudades da sua família, mas aquele egoísmo do começo já não existia mais. Apesar de gostar de ouvir vozes familiares de vez em quando, não queria mais ser o estorvo da vida de todos.

Vejo os dias passarem, mas não sei o que é segunda ou sexta. Não consigo mais definir o que é o tempo, só espero a chegada de um outro tempo, em outra dimensão, ou sei lá onde for.

Enfim, a reunião acabou. Os beijos na testa me fazem lembrar por alguns segundos que ainda sou um ser humano, uma mulher balzaquiana. As portas se fecham, e alguma espécie de vida continua.







domingo, 23 de agosto de 2015

A Fagulha


Havia o fogo,
Ele ardia, queimava com toda a força e nem se abalava com os ventos que passavam vez ou outra perto dele.
Era imponente, com suas chamas sempre altas e seu calor espalhado por todos os lugares.
Porém, com o passar dos anos, o fogo começou a diminuir lentamente...
O clima ao seu redor se tornava cada vez mais frio, e os ventos pareciam vir dispostos a acabar com a sua força.
Ele não conseguia evitar, e foi se apagando aos poucos, deixando-se levar pela frieza que o rodeava. Em cada chama perdida, havia a tristeza por não conseguir vencer o tempo ruim.
Mas, apesar de forte e impiedoso, o frio não conseguia apagar por completo o fogo.
Ele soprava, rodeava e ás vezes até achava que havia conseguindo congelar todas as chamas, mas uma única e solitária fagulha insistia em continuar acessa.
Ela lembrava de como era feliz quando era grande e forte, e se recusava a apagar para sempre.
A fagulha era tão persistente, que um dia o vendaval começou a enfraquecer. Aos poucos, se transformou apenas em um vento, que continuava a rodear, mas não tinha mais forças para intimidar a pequena chama.
Ela tinha uma nova esperança, e talvez até conseguisse voltar a ser aquele fogo que ardia como antigamente. O caminho era longo, mas de uma coisa ela tinha certeza: O frieza jamais conseguiria apagá-la.





domingo, 2 de agosto de 2015

Ana e os óculos


Ana tinha um problema de visão terrível.
Não era miopia, nem astigmatismo e nem hipermetropia. Mas, para resolvê-lo, ela abusava dos óculos. Tinha vários, tantas opções que conseguia trocar várias vezes ao dia. Mas havia dias que a sua deficiência estava tão acentuada, que nenhum óculos conseguia corrigir.
As pessoas diziam "Hei, Ana, olhe...você não viu direito"! Ela se esforçava, limpava as lentes, olhava mais de perto...mas continuava sem enxergar o que todo mundo via. Isso a deixava desesperada, pois ninguém acreditava nela.
No trabalho ou durante os momentos com seus amigos e sua família, Ana fazia de tudo para colocar seu melhor óculos. Mas, ela sabia que precisava de uma lente especial, que ajustasse sua visão distorcida para sempre.

Era não era a única que tinha esse problema, e a cada dia descobria que mais pessoas enxergavam o mundo como ela. Todos procuravam a sua lente especial, e ela acreditava que um dia conseguiria encontra-lá. Enquanto isso, ela aprendia a viver sem tropeçar, com passos lentos em busca da visão da realidade.


domingo, 22 de julho de 2012

Olhe mais fundo



Solange pegava todos os dias o mesmo metrô, aproximadamente no mesmo horário, e ficava em pé no vagão sempre no mesmo local. Olhava sempre para frente, para a janela, onde via diariamente os mesmos prédios cinza, os carros parados no trânsito e as pessoas indo trabalhar.

Nesse dia, estranhamente o céu estava diferente. O azul se misturava com o amarelo do sol de tal forma, que até Solange percebeu. A luz penetrou a janela e refletiu em seu relógio, fazendo o reflexo passear por entre as pessoas que estavam ali. Ela acompanhou esse rápido movimento e se surpreendeu. A senhora sentada em sua frente estava cabisbaixa, tinha o olhar triste e distante, pensava em algo não muito agradável. O rapaz ao lado também tinha o mesmo olhar distante, mas sorria, mesmo estando naquele vagão abafado e barulhento. Estava feliz. Um homem estava com a namorada, observando ela falar sobre a amiga da amiga que ficou com o vizinho na balada. Apesar da mão colocada carinhosamente na cintura da moça, o olhar do rapaz viajava, e com certeza ele não fazia ideia do assunto daquela conversa. O reflexo percorreu várias pessoas e ela observou cada rosto, e como as pessoas pareciam falar apenas com seus olhos e expressões. Pela primeira vez, Solange percebeu quanta vida existia naquele vagão.

O dia seguiu, assim como a vida, e o céu nunca mais reproduziu aquela mesma cor, mas Solange nunca mais pegou o metrô olhando para aquela janela suja e cinza.

*2010

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Uma carta para o passado



Mais uma manhã de aula. E como todos os dias, Ana voltava para casa com as suas amigas.
A escola era seu pegueno mundo, de onde tirava suas referências e suas experiências. Era a mais acanhada das amigas e talvez por isso, não chamasse tanto a atenção dos garotos. Afinal, ausência de beleza e de desenvoltura não é a combinação dos sonhos quando se tem 15 anos.
Era apaixonada por Miguel, um garoto de sua turma. Ela nem sabia o porque, pois ele nem era bonito e também nem era tão legal, mas via algo de especial no menino. Ela o amava.
Miguel, por sua vez, não via nada de especial nela. Ignorava sua existência e dava em cima da amiga de Ana, que parecia não ligar para o fato de que ela sofria calada ao ver isso. Ela gostava muito de suas amigas e fazia de tudo para agradá-las e vê-las felizes, apesar de isso criar feridas que dóiam muito ás vezes. Em certos momentos, sentia-se terrivelmente sozinha e achava que nunca seria feliz, pois só enxergava felicidade nas pessoas ao redor. Era triste e perdida.
Em um certo dia, ela estava deitada em sua cama, ouvindo música e pensando, quando derrepente um pedaço de papel entrou voando pela sua janela. Ela se sentou na cama e pegou o papel. Era uma carta. Assustada, desdobrou a folha e começou a ler:
"Querida Ana, não se sinta tão só. Você é muito especial. Talvez agora não seja o momento para que você perceba isso, você ainda terá que viver um pouco mais para conseguir enxergar certas coisas que acontecem com você. Sabe o Miguel? Você pode não acreditar agora, mas o que você sente por ele não é amor. Amor não é algo que faz sofrer, muito pelo contrário, ele te faz a pessoa mais feliz do mundo. E você saberá o que é isso. Não culpe o Miguel, pois ele também fará muitas descobertas na vida dele.
E as suas amigas que parecem não te enxergar, elas são muito diferentes de você. Elas buscam coisas que no momento não são tão importantes assim na sua vida. Não fique chateada, pois o tempo é relativo para as pessoas e nem sempre as coisas acontecem no mesmo tempo para todo mundo. Talvez a sua vida chegue em um ponto em que você abrirá mão de certas pessoas e conhecerá outras que te sustentarão em momentos muito importantes. Apesar disso, você guardará cada lembrança com muito carinho. Sei que agora você enxerga tudo escuro, confuso e triste, e pensa que a sua vida será uma eterna decepção. Mas acredite Ana, não será. Você passará por muitos momentos lindos. Alías, você será uma bela mulher, diferente das outras em vários sentidos, o que te tornará visível não a qualquer um, mas sim a quem souber verdadeiramente enxergar. Você não sabe quantas coisas vai descobrir, aprender e viver...conhecerá a felicidade bem de perto e vai aprender a lidar com os sentimentos ruins que todo ser humano tem. Eles não vão mais tomar contas de você...
Fique bem e principalmente confiante. Vai dar tudo certo, Eu sei disso! Ass: A.C..."
Derrepente, Ana acordou. Havia sonhado a noite inteira, mas não se lembrava com o que...odiava isso.
Se levantou e se arrumou para ir para a escola. Suas amigas passaram em sua casa e foram todas juntas, como todos os dias.
Na hora da chamada, Ana estava distraída, tentando se lembrar do sonho que teve. Até que leva uma cotovelada de sua amiga:
- Ana, a chamada! A professora já falou seu nome três vezes!
- ANA CRISTINA! - grita a professora.
- Presente...
E ela retorna para as suas divagações:
- Será que um dia o Miguel vai olhar para mim...?

*2011

Marcela e a caixa



Marcela sempre foi um exemplo de menina. Em casa, na escola, todos a admiravam pela sua delicadeza e simpatia. Estava sempre disposta a ajudar seus amigos e as pessoas próximas, afinal, todos precisam de alguém assim. E todos contavam com ela.
Mesmo depois de moça, ela continuava a ser muito prestativa, sempre com uma palavra compreensiva e um gesto de atenção.
Mas algo sempre intrigou as pessoas próximas de Marcela. Desde pequena, ela andava com uma pequena caixa de madeira em suas mãos. Ia com o objeto para todos os lados e dificilmente o soltava, a não ser para dormir, tomar banho ou comer.
Todos eram curiosos para saber o que Marcela carregava dentro daquele objeto, mas nunca se preocupavam muito, afinal, ela era uma ótima pessoa. E isso nunca interferiu na vida de ninguém.
Em um certo dia, Marcela estava sentada no banco de uma praça, com a caixa de madeira ao seu lado. Estava despreocupada, pensando em sua vida e nas pessoas, até que um senhor sentou ao seu lado. Imediatamente, Marcela pegou sua caixa.
O velho homem percebeu o gesto, e o achou familiar.
- Hoje está um dia bonito, não? - puxou assunto o velho.
- Sim, muito bonito - respondeu Marcela. O senhor costuma passear por aqui?
- Ás vezes...gosto de observar a movimentação da rua. E você?
- Eu o que?
- Costuma passear por aqui? - perguntou o senhor, com um sorriso divertido.
- Ah sim, ás vezes. O senhor vem sempre sozinho?
- Sim, eu gosto de ficar sozinho de vez em quando. As pessoas me cansam ás vezes.
Marcela arregalou levemente os olhos com essa afirmação.
- Como as pessoas te cansam? - ela perguntou.
- Na verdade, acho que não são as pessoas que me cansam. Eu já nasci cansado. Não fui feito para esse mundo, e olha que com a minha idade, eu já deveria ter me acostumado - sorriu o idoso.
- Isso deve ser...um pouco triste - disse Marcela.
- Bom, ás vezes é sim. Mas era muito mais triste quando eu era jovem.
- Por quê?
- Porque eu agia contra o meu instinto natural. Tinha muitos amigos, muitas pessoas em minha volta. Mas todos, apesar de próximos, eram diferentes de mim. Como eu era "minoria", sempre fui um pouco diminuído. Então, fui o ouvido amigo, o conselheiro...porque conhecia muito bem todos, mas ninguém me conhecia.
Marcela escutava atenta, e ao mesmo tempo um pouco assustada.
- E você não é mais assim? - perguntou.
- Sempre gostei mais de ouvir do que de falar, gosto de conhecer a história das pessoas. E foi com isso que aprendi ao longo dos anos que as pessoas passam a vida a falar, cobrar do próximo, olhar para dentro de si mesmas..travando diariamente pequenas lutas de ego. A grande maioria não percebe que age assim, afinal, estão de certa forma "cegos". Mas existem pessoas que não são tão cegas assim. Essas enxergam as atitudes alheias e as próprias de uma forma diferente, mais clara. E nessa luta, esses indivíduos acabam mais como "expectadores", que muitas vezes só escutam e aconselham...e vivem as suas lutas calados.
E ao contrário da maioria, esses dificilmente possuem alguém para escutá-los e aconselhá-los.
Marcela sentia seus olhos enchendo de lágrimas.
O velho continuou:
- Quando eu percebi que era um expectador, consegui direcionar melhor o meu olhar para as situações e pessoas "certas". Isso foi muito bom, tirei um peso que levava comigo o tempo todo. Era como se eu carregasse algo pesado..como uma caixa.
Marcela olhou para a sua caixa e começou a chorar, tocada por tudo que acabara de ouvir. O velho senhor então tirou levemente a caixa das mãos da moça, e disse:
- Não deixe o mundo te aprisionar. Viva e observe o que há de bom, mas faça isso com os seus olhos. Não importa se eles enxergam o que ninguém vê, o importante é que você vê.
Então Marcela deu um forte abraço no velho senhor, levantou-se do banco e partiu, com uma liberdade que nunca havia sentido antes.
O senhor observou a moça indo embora, com um largo sorriso de satisfação.
- Ela agora tem os braços livres. Agora sim, pode até voar...


*2011